quinta-feira, 3 de março de 2016

coleccionismos

Percorria as revistas dos jornais de domingo à procura de imagens belas com as quais forrar os meus cadernos no início do ano letivo. Cadernos A3 negros, que depois plastificava, eram os que enquadravam melhor esses instantâneos de qualquer coisa acumulados em caixas, na gaveta da mesa-de-cabeceira, em sítios para o efeito onde fui dar também com coisas que simulam o absurdo, como o Público com a primeira página da morte de John-John Kennedy. O que teriam feito as imagens da internet aos meus cadernos? Provavelmente, nada. Tirando as fotografias publicitárias a perfumes – essa obsessão – , continuo a percorrer os mesmos caminhos que vão dar ao preto e branco do maio de 68, agora bem menos Paris, muito mais Londres, e aos filmes que cravam as garras. E quanto ao demais que colecionava, é googlar John John Kennedy e Carolyne Bessette e perceber. Expurgue-se a heteronormatividade. Contemple-se. 

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