segunda-feira, 20 de março de 2017

vestido e armado com as armas de Jorge




O que este filme me deu é profundamente meu, não sei dizê-lo, não sei se quero dizê-lo. Detenho-me também porque este filme existe coletivamente, eu só interesso porque me dilui ali. É circular. Ou seja, é inteiro. Está sempre a tentar regressar.

Querem portugalidade? E que tal uma que dói?

O que gostava era de conseguir agradecer. Agradecer é um exercício difícil, mesmo para quem sabe ser grato. Corro o risco da devoção adolescente. Isso é bom, talvez. Estou grata por este filme e não sei o destinatário. 



quinta-feira, 9 de março de 2017

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

veludo azul



A noite começou feliz e divertida, na apoteose das coisas simples, com aquela festa de Justin Timberlake. Jimmy Kimmel foi o anfitrião inspirado de uma noite cheia de manifestações públicas de amor e carinho. Como uma família disfuncional à qual aconteceu uma desgraça que abriu os olhos para o essencial, Hollywood foi política, muito política, mas não foi demagógica. Foram pesadas as palavras, superiormente ditas por Viola Davis, que pediu: exumem as histórias, levantem-se e andem as pessoas comuns pois delas é o reino dos artistas e das outras pessoas comuns.


Os prémios foram atribuídos com justiça, abstração feita àqueles que não estavam a concurso: “Animais Noturnos” e Tom Ford excluídos inexplicavelmente num ano de muitos, muitos bons filmes. A noite até tinha começado com um tapete vermelho particularmente interessante. Há anos que não se via nada assim. Hollywood estava de volta e vestiu-se para a ocasião. Taraji P. Henson mostrou que não é preciso inventar a roda para deslizar veloz, a elegância é uma permanente reinvenção, provou-o no seu Alberta Ferretti de veludo azul. Sim, veludo azul. Viola Davis deslumbrou num Armani Privé vermelho tornado um clássico instantâneo do qual os meus filhos vão falar. Cavalheiros elegantes abundaram, elevando-se Aldis Hodge, Mahershala Ali e Viggo Mortensen. Há pouca justiça fotográfica no instantâneo dos figurinos, talvez porque aquela foi uma noite cheia de verdade, que terminou com a humanidade do erro no olhar aflito de Warren Beatty. Ainda bem que fiquei acordada.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

lezíria tropical



Foi a língua portuguesa quem plantou palmeiras na planície ribatejana. Ou é nos recortes altivos que me descubro portuguesa. Sou daqui, pelo menos. Da terra que está próxima, que esteve sempre. Mas só porque também tem a lonjura é que sou daqui,