domingo, 18 de setembro de 2016


Millie Bobby Brown, Elevan, em "Stranger things".


             Até final de outubro vou ter de me concentrar a sério e praticar a ausência daqui, mas está tudo bem. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ativismo do sentir



“No estamos acostumbrados a que triunfe el activismo del sentir. Pero ocurre. El único património de Sherazade es la palabra poética, la boca que da a luz un lenguaje que no pretende dominar. Y esse activismo del sentir consigue un primer efecto revolucionário: desequilibra al poder”. A expressão “ativismo do sentir” funciona muito bem em português talvez porque tenha sido inventada por um galego. Não sei se o escritor Manuel Rivas tem a patente, mas usou-a num artigo na revista do El País que li para “me entreter” – curiosa expressão – enquanto tomava café num parque de campismo na Galiza, em julho. A crónica de Rivas era um elogio às mulheres no atual panorama cultural espanhol. Faz, por isso, todo o sentido que tenha voltado a encontrar-me com a mesma ideia na introdução da última Lenny Letter, escrita por Lena Dunham, a mulher que voltou a por o feminismo na agenda nos Estados Unidos. A autora da série “Girls” teve uma infância privilegiada e a mãe permitia-lhe faltar à escola para que ela pudesse repor os níveis de sanidade mental, o que era feito a ler, comer bolos, comprar t-shirts absurdas com o dinheiro do seu porquinho-mealheiro e outras coisas reais ou fictícias. “My mother had given me permission to relax every fiber of my being and, in doing so, reclaim my fight”. Sim, fight, luta. Ir à escola todos os dias é uma luta. Viver todos os dias cansa, já dizia o mais inspirado título de todos os livros lamechas de Pedro Paixão. Lena dá o salto citando a feminista Audre Lorde: “Caring for myself is not self-indulgence, it is self-preservation, and that is an act of political warfare.” E é mesmo. E é bem verdade que para as mulheres é mais difícil permitirem-se descansar, ou porque materialmente não podem ou porque a fábrica de culpa gerada para as submeter requer os seus serviços. Lena dá novamente um salto, para ir encontrar-se com o Rivas e o seu “ativismo do sentir”: “Every single one of you is engaged in your own act of political warfare. Whether it’s drawing, baking, doing a fucking awesome job at something that’s traditionally male, OR being tough as nails at a job that’s traditionally female, you are reconceiving what activism looks like”. Talvez o laço não se aperte na Galiza. Foi Clarice Lispector que escreveu: “Pensar é um ato, sentir é um facto”.

terça-feira, 23 de agosto de 2016


"I would love to become a child on the beach once again. It may sound infantile, but that's the feeling I long for: to be a child without care, taking in the immensity of the ocean an still feeling safe". A explicação do ilustrador da capa de agosto da New Yorker Jacques Sempé não pode ser outra coisa se não uma desilusão. Percebo-o. Aquela perda é muito dolorosa, mas o que o ilustrador concebeu para a homenagear suplanta-a com profundidade. Olho para esta capa e vejo uma república de infância, uma organização bela, o mundo tomado pelas crianças, mas numa história bem contada. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O Brasil não é para principiantes

Que o Brasil não é para principiantes já sabíamos. Juntar esse facto poético a um momento difícil da vida do país politica e economicamente levantou uma qualquer bandeirola para espíritos ávidos de crítica a tudo o que não entendem e que, normalmente, está longe dos seus parâmetros pseudoprimeiromundistas e dos óculos com aros de preconceito que colocam para ver um país que não é suposto fazer uma coisa reservada a um clube de países que supostamente.  O Roger Cohen foi correspondente no Brasil nos anos 1980 e diz tudo muito melhor do que eu.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

OST

Há poucas bandas sonoras para trabalhar a escrever tão eficazes como Yan Tiersen para o filme "Good bye, Lenin!" e Ludovico Einaudi, sobretudo "Una Mattina". Sim, vim toda energizada do Brasil. O Rio estava lindo, São Paulo pareceu-me uma Nova Iorque lusófona e o Recife é um lugar cheio de charme. E assim de rajada vi dois reais gabinetes de leitura e comovi-me. Deixámos paredes com livros, deixámos bibliotecas e ainda por cima são bonitas. Trouxe o último Ruy Castro e uma biografia dita íntima da imperatriz Leopoldina. Over and out. Fui.