terça-feira, 27 de setembro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

amor à bola

Evito ver aqueles jogos que de tão bonitos deviam ser que têm esse nome de clássicos. Como os filmes. Evito ver e não vejo mesmo, portanto, não vi. Para não me enervar, mas não é para me poupar, é com medo de deixar vir ao de cima uma coisa má de mim, como aquilo que não gosto nos outros, esses espelhos. Então não vejo e depois bebo os resumos, com sentimento de culpa, porque sei que pode ser confundido com falta de amor quando é mesmo o seu contrário, um amor todo, delicado e de carinhos. Eu e o Benfica somos companheiros, não andamos na rua a fazer cenas de apaixonados que o mais certo é um dia acabarem a odiar-se. Nós somos outra coisa e sabemo-lo muito bem, eu e o Benfica. Se tantas vezes não vejo não quer dizer que não goste de ler sobre o assunto e lamento muito, lamento tanto, não encontrar uma alma – talvez ande desatenta e se for caso disso, peço ajuda e que me corrijam – que escreva bem sobre bola na imprensa portuguesa. Queria ler alguém que escrevesse sobre futebol e soubesse tecer as palavras para o contar sem salivar de ódio por nada nem ninguém. Não peço a prosa de Chico Buarque no Mundial de 98, não me apetece pedir o impossível, que não é coisa da minha geração. Queria apenas mais tentativas e havia de se chegar a alguma coisa bonita. Um texto que fosse só amor à bola, gostava tanto. Não é o que aquilo é? Afición, paixão, amor, entrega incondicional? Forço-me a concluir que reina uma desconsolada falta de inteligência emocional.

sábado, 24 de setembro de 2011




Isle of Arran

O sol é mesmo outro nos sítios onde escasseia. Em Arran é uma questão de acordar mais cedo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011



Edinburgh

Edinburgo em soluços. Aos soluços. Soluços de Edinburgo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011



 "Fjellet" ("The Mountain"), de Ole Giæver.


"80 egunean" ("For 80 days"), de Jon Garaño e José María Goenaga.

É tão bom dizer “vi um filme tão bonito”. Quando é bonito e não nos deixa iguais mas também não nos revelou o que não soubéssemos de cor. Porque é bonito mas não é um fogo de artifício. Porque é bonito mas não é um lugar comum, embora esteja nos lugares comuns.
Vi um filme tão bonito. E foram dois.

domingo, 18 de setembro de 2011

Glasgow girl


Glasgow

“Then came the evening with the snow. We had been playing at families, out all day, taking part in a surprise trip to Glasgow. My head was filled with the grizzled air, the bruised colour of the buildings and the huge, roaring streets. The city seemed sprung for darkness, waiting to be busy in the spaces between lights. Living here now, I can look at the peaceful haze of frost in my empty, aimless street, quite contented, but this is still the city I felt suck around me, swirling my brains with the cold, bright threat of utter indifference. I was, of course, right in my impressions the first time and I am, of course, right now. It is impossible to be wrong about a city – it will be anything you do or do not want, quicker and harder than you think”.

A. L. Kennedy, “So I am glad”, Vintage.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

bodas de prata

À Elsa, claro.

Setembro é o mês das nossas bodas de prata. Há 25 anos o ano letivo era mais tardio, entrado em setembro, quase outubro. Não isolo a data. Fazia calor, a avaliar pelo vestido de peitilho amarelo e os sapatos de vela azuis com soquetes com que estou nas fotografias do primeiro dia de aulas. Sentada ao lado do Luís, fixados pelo Pires fotógrafo. Nós ainda não nos tínhamos conhecido, partes por unir daquele puzzle entregue em pedacinhos em 1986 à professora Isaltina Cardoso. Os bocadinhos haviam de fazer sentido. Há outras bodas de prata a assinalar. Amigos que mantenho, outros que admiro mesmo à distância.
Nenhuma peça se encaixou tão bem como aquela que o jogo aproximou quando um iogurte se entornou junto às minhas pernas. É assim que me lembro. Era um iogurte da UCAL, daqueles que se abriam como um cofrezinho efémero e vinham com colheres de plástico. Ela deixou cair os olhos, num pequeno pânico, para o lanche desperdiçado e ergueu-os logo de seguida. Enormes, verdes, pestanudos. É assim que me lembro.
Com os detalhes aborrecidos que a memória coloca em tudo o que é mesmo importante, isto que escrevo só interessa a mim e à minha melhor amiga. Não quero a síntese nem o efeito. Isto é uma homenagem. Quero gostar de me ouvir. Quero que ela goste de me ouvir.
Foi uma cavalgada de anos. Uns atrás dos outros, anos letivos, férias no Algarve, férias na Nazaré, exames, faculdades, casamentos, nascimentos, ausências, funerais, a dor e tudo o que ainda não nos ensinou, nas também a sabedoria temporária e as canções que a embrulhavam. E as declarações de independência, sempre e de todas as formas. Dominei o cabelo e as sobrancelhas, tirei o aparelho e tive mamas, foi um processo de anos e fiquei melhor, enquanto ela ia arrastando a beleza em movimentos pequenos, como quem ajeita a cauda de um vestido vitoriano.
Parece que aconteceu tudo no caminho para a escola. Num dia que não estivéssemos atrasadas nem estivesse a chover. Mas com frio, porque não abdico das botas e a nossa história passou-se sobretudo no Inverno e nas estações intermédias em que tudo realmente acontece. Já não acabamos as frases uma da outra porque elas já não se escapam assim de rajada. Evitamos as certezas e a sua inutilidade. Mas o orgulho é legítimo. Este é nosso património. Tem 25 em 31 anos de vida. Parabéns.