quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Distribuições

Se é um deleite ver o desfile na passadeira verde, melhor seria ver os filmes. A ausência de cinema espanhol das salas portuguesas, onde qualquer francesice tem pelo menos duas ou três semanas asseguradas no King, no Monumental ou no Corte Inglês, é das coisas mais inexplicáveis que conheço. Já nem falo da carestia de cinema brasileiro. O último filme brasileiro em cartaz em Lisboa foi, salvo erro, “Tropa de Elite”. É que Espanha é aqui ao lado. Restam os ciclos temáticos, os filmes trazidos por mãos amigas e, claro, a mais reles pirataria.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Na passadeira verde

… dos prémios Goya, Penélope Cruz fez-se acompanhar, pela primeira vez, num ato oficial, por Javier Bardem. Dezoito anos depois de Bigas Luna os ter juntado em “Jámon, jámon”, era Pe quase uma criança, e de Woody Allen ter patrocinado o reencontro da velha chama, houve centenas de fotografias de um casal feliz em veraneio trazidas a nós por teleobjetivas gigantescas, muitas discrições que deram nas vistas e pronto, ei-los. Pe escolheu um Versace vintage branco para a ocasião e fez muito bem. Quilómetros de passadeira a separam de outras presenças elegantes da noite, como Marta Etura, em Oscar de la Renta, Manuela Velasco, de Dior, e a guapissima Goya Toledo, de Elie Saab. A passadeira verde é a nova passadeira vermelha.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pornopolítica

Este não é o tempo de atentar à forma. O conteúdo está aí para nos esmagar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pela estrada fora

"Nem todas as palavras prestes a morrer são portadoras da verdade e a benção que proporcionam não é menos genuína por se ver privada dos seus fundamentos".


"A Estrada", Cormac McCarthy, Relógio D'Água.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

No escuro

Um profeta”, de Jacques Audiard.
 A identidade é uma coisa tramada. Parte e reparte, mas sempre fica com a melhor parte.

Anti-cristo”, de Lars Von Trier.
Charlotte Gainsbourg é muito corajosa. Mais não digo, porque não sei o que dizer.

Nas nuvens”, de Jason Reitman.
Nunca é tarde para se pôr de lado a alienação emocional.

Nine”,de Rob Marshall.
É longo o caminho entre “Oito e meio” e “Nove”, mas não há nada que Penélope Cruz não salve.

“Utilizei o resto do papel e o verso para mudar a minha assinatura. Desde há algumas semanas sentia necessidade disso. Obviamente não continuara sempre a mesma com o passar dos anos, mas isso só era notável a grandes intervalos. Quando era uma rapariga tinha-a mudado radicalmente três vezes; tinha mantido a ultima versão e esta tinha-se transformado num arabesco veloz na forma de um pássaro voando. Agora voltei a sentir necessidade de algo legível, escolar se fosse preciso. Evidentemente também teria de manter a anterior, pois estava registada no banco e figurava no cartão de identidade dos meus cheques e no meu passaporte.
Também fui ao cabeleireiro e pedi para rapar o cabelo”.


Como é que em “Duas mulheres” (editorial Teorema), Harry Mulisch consegue escrever como uma mulher? Porque escreve bem. Da mesma forma que Chico Buarque escreveu “Atrás da Porta” para Elis Regina – que não foi uma mulher qualquer. Ou sobretudo, da mesma forma que Chico escreveu “Bárbara”. Quando é o próprio Chico a cantar os poemas que escreve a partir da voz interior de uma mulher eles continuam a ser completamente credíveis. Porque são bons. Porque ele sabe escrever. Parece tão fácil, como Fred Astaire e Ginger Rogers a dançar. Quando é bom parece fácil. E quando é bom não há género.
A discussão em torno da existência de uma escrita feminina parece mover o eixo do essencial, que é, obviamente, a qualidade da escrita. A “sensibilidade” feminina é apenas um artifício para emparedar as mulheres em tarefas e lugares que se querem só delas. Na Grécia Antiga tinha um nome. Gineceu. Agora que deixou de ser uma divisão da casa, sabíamos reconhece-lo.

P.S. - Por motivos profissionais, adotei hoje o acordo ortográfico que até 2016 teremos todos que seguir. As palavras não ficaram melhores nem piores. Interessa, claro, que sejam boas.