Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Decência

O meu avô qualificava com muita frequência as coisas de “decentes”. Um casaco de malha, um restaurante, um par de sapatos. Tudo coisas decentes se fossem de boa qualidade e não custassem muito caro. Já o meu pai aplicava sobretudo a decência às pessoas. “É do PS, mas é um tipo decente” ou “PPD, mas decente” eram as frases em que o qualificativo mais aparecia.
Talvez fosse este apreço pela decência que uniu avô e pai - sogro e genro – na cumplicidade envergonhada daqueles que discordam tanto que não conseguem divergir no essencial.
Nenhum deles era uma pessoa particularmente natalícia, mas também não é suposto que estas coisas façam sentido. É por causa deles que dou comigo a pensar que o Natal podia ser uma altura de decência. Alguns presentes decentes. Dois ou três telefonemas decentes, a pessoas que nem precisam de ser lá muito decentes. Um presépio pequenino. O Natal como uma dieta daquelas em que se come de tudo, sem abusar de nada, que é também um bom conselho para a quadra.
Deve ser dificílimo, mas este ano vou tentar ter um Natal decente.

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Não, não estou a fazer concorrência ao "e Deus criou a Mulher"






A “bunda” é uma instituição que me escapa. Ou melhor, escapa-me que seja uma instituição. Talvez porque a associe a um desvalorização dos seios, uma coisa que me parece inaceitável. Um traseiro muito feio não passa despercebido, mas a maioria dos traseiros femininos (e masculinos) são absolutamente normais. Andam pelo mundo a exibir nada mais do que essa normalidade, valorizando involuntariamente pedaços do corpo mais aristocráticos. Um pescoço ou um belo par de ombros. O fascínio pela “bundinha” per si é uma coisa que não entendo. E, no entanto, sou sensível à capa da última Playboy brasileira. Bom fim-de-semana