Alcobaça, dezembro de 2015
quinta-feira, 23 de março de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
vestido e armado com as armas de Jorge
O que este filme me deu é profundamente meu, não sei dizê-lo, não sei se quero dizê-lo. Detenho-me também porque este filme existe coletivamente, eu só interesso porque me dilui ali. É circular. Ou seja, é inteiro. Está sempre a tentar regressar.
Querem portugalidade? E que tal uma que dói?
O que gostava era de conseguir agradecer. Agradecer é um exercício difícil, mesmo para quem sabe ser grato. Corro o risco da devoção adolescente. Isso é bom, talvez. Estou grata por este filme e não sei o destinatário.
sexta-feira, 17 de março de 2017
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
veludo azul
Parecia uma noite em espelho com 1992.
A noite começou feliz e
divertida, na apoteose das coisas simples, com aquela festa de Justin
Timberlake. Jimmy Kimmel foi o anfitrião inspirado de uma noite cheia de manifestações
públicas de amor e carinho. Como uma família disfuncional à qual aconteceu uma
desgraça que abriu os olhos para o essencial, Hollywood foi política, muito
política, mas não foi demagógica. Foram pesadas as palavras, superiormente
ditas por Viola Davis, que pediu: exumem as histórias, levantem-se e andem as
pessoas comuns pois delas é o reino dos artistas e das outras pessoas comuns.
Os prémios foram atribuídos com
justiça, abstração feita àqueles que não estavam a concurso: “Animais Noturnos”
e Tom Ford excluídos inexplicavelmente num ano de muitos, muitos bons filmes. A
noite até tinha começado com um tapete vermelho particularmente interessante. Há
anos que não se via nada assim. Hollywood estava de volta e vestiu-se para a ocasião.
Taraji P. Henson mostrou que não é preciso inventar a roda para deslizar veloz,
a elegância é uma permanente reinvenção, provou-o no seu Alberta Ferretti de veludo
azul. Sim, veludo azul. Viola Davis deslumbrou num Armani Privé vermelho
tornado um clássico instantâneo do qual os meus filhos vão falar. Cavalheiros
elegantes abundaram, elevando-se Aldis Hodge, Mahershala Ali e Viggo Mortensen.
Há pouca justiça fotográfica no instantâneo dos figurinos, talvez porque aquela
foi uma noite cheia de verdade, que terminou com a humanidade do erro no olhar
aflito de Warren Beatty. Ainda bem que fiquei acordada.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
lezíria tropical
Foi a língua portuguesa quem plantou palmeiras na planície
ribatejana. Ou é nos recortes altivos que me descubro portuguesa. Sou daqui, pelo menos. Da terra que está próxima, que esteve sempre. Mas só porque também tem a lonjura é que sou daqui,
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