segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Berlim
Este ano infeliz para o mundo
quis ser o ano mais feliz da minha vida. Sim, sim, estou a medir bem as palavras. Em novembro tentei conciliar a maior
derrota político-cívica que me foi infligida com uma sucessão de vitórias
pessoais. Fiz como sempre - a ler livros, ver filmes, correr, fazer yoga
- , mas contando agora com o que não tive sempre. Não se evitaram semanas
depressivas, entre o querer e o não querer perceber a eleição de Trump. Parecia
1933. Parece 1933.
Os Parov Stelar estão confirmados
para um festival em 2017. Em setembro estava em Berlim num restaurante tailandês
a comer uma refeição memorável – e foram algumas só este ano
-, e ouvia-se o “Booty Swing”. A canção simples e feliz, com sonoridades dos
anos 1920 e início dos anos 1930, que voltei a ouvir hoje, solta uma gargalhada
berlinense de tempos felizes, os que vivi e o que outros viveram antes de
outros terrores. Contra o terror, não somos já os mesmos mas somos ainda os
mesmos. É esse núcleo sem medo que nos querem tirar. Só que nesse lugar mesmo
no centro do amor ouve-se “Booty Swing” e estamos todos a dançar. Num cabaré
berlinense. Numa discoteca de seis pistas.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
portátil #2
Os amigos a reivindicar um lugar na minha história, com toda a propriedade, e eu a ter de explicar que nem todos - quase nenhuns - chegaram ao palco do Tivoli?
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
portátil
Digamos que me acho intimada a
atualizar decentemente este blogue, que a tese de mestrado – lá está, brilhantismo
- e os dias cheios puseram em espera. Se há coisa que gosto é de contar histórias
e ouvir histórias. Sejam conversas alheias no metro, as novelas da Globo (“Roque
Santeiro”, sempre) ou literatura russa.
Quando se começa uma história ela
torna-se especial, logo ali no dizer da partilha. Não é preciso ter pais que se
conheceram em Moscovo.
É isto que o genial coletivo -
ah, a coletivização – Porta dos Fundos encarna no espetáculo “Portátil”. Todas
as histórias são especiais. Eu ganhei uma grande história para
contar aos meus filhos.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
outubro
Nas primeiras chuvas respiro uma
saudade brutal de Alenquer. Como se não existisse mais, engolida pelo rio, as
margens abertas num grande abocanhar de vila baixa e vila alta que tivesse
virado ao contrário vale e montes. Sem espetacularidade, só num gesto muito
comprido, as margens do rio a levarem o cheiro das caminhadas para a escola com o
fresco a fingir-se irrepetível todos os anos a começar outubro. As roupas ‘boas
para levar para a escola’. Se a escola fosse mais perto, poderiam ser
diferentes? E sabia, sabia-se, daí a semanas o frio já seria para dentro dos
ossos. A meia estação era curta para os habitantes não se prostrarem melancólicos.
É das saudades mais justificadas, tem o anátema das coisas que nunca andarão
para a frente, parecem não ter nada para cumprir, ao contrário de sentir
falta do Brasil e saber que está tudo bem.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Está quase e agora quase é mesmo quase. Tenho a tese de mestrado escrita, estou mergulhada em correcções e outros horrores, mas vou sair disto viva porque tenho comigo os melhores ensinamentos desde a mais tenra idade. E o Bob Dylan é Prémio Nobel da Literatura! Viva!
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