quinta-feira, 16 de junho de 2016

perspetiva

"So beyond the horror we feel at the moment, I feel the true answer lies in a new sense of affinity with all other persecuted LGBTQ people and their allies across the globe. The fight for justice has only just begun, and the Orlando massacre is a staunch reminder of how brutal that battle will inevitably be. But as Oscar Wilde said, 'The mystery of love is greater than the mystery of death,' and we certainly have love on our side."

Rufus Wainwrigth à Rolling Stone.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

todos os nomes

As palavras são mesmo muito importantes. Até aquelas que foram escritas e proferidas de forma retardada para conterem tudo o que interessa são muito importantes. Mesmo com ligeiro atraso, é importante chegar-se ao lado certo da História com as palavras que lhe dão acesso. Não são todos como o presidente Obama que disse tudo o que havia a dizer logo no dia em que foram mortas mais de 50 pessoas numa discoteca gay em Orlando.
As palavras são mesmo muito importantes. Adorava não ter acordado, mais uma vez, a meio da noite com as palavras ‘mass shooting’ na cabeça. Assim mesmo, em inglês. E não me digam para não rezar por Orlando, porque isso é meterem-se com a minha liberdade religiosa. Rezar pela comunidade LGBT de todo o mundo e pelas vítimas de Orlando é só uma das coisas que faço, felizmente para mim, que posso. 


domingo, 12 de junho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Sancho Pança

“Deitei fogo ao velho espantalho a que os fracos chamam ‘convenção’ e a que os fortes chamam ‘limite’! E à chama desse estranho incêndio, ergui então bem alto esses novos motivos de beleza, desvendados ao meu espírito de ansiedade em hinos de Graça, de Amor e de Vitória! (…) Assusta-se o senso-comum – esse Sancho-Pança da moral que o burguês inventou para guarda vigilante dos seus ‘sãos princípios’”


Judith Teixeira, “De Mim, conferência em que se explicam as minhas razões sobre a vida, sobre a estética, sobre a moral”, 1926

Entre as coisas boas que  me aconteceram nos últimos dois anos: ler a Judith Teixeira e voltar a ler o António Botto (uma primeira leitura para todos os efeitos). E não abalou a minha amizade antiga e bela com o meu Sancho Pança pessoal. Estamos firmes.

terça-feira, 7 de junho de 2016

da máquina da ignorância

As redes destroem os heróis que criam à velocidade da luz em que sempre se movem. E eles, porque não são heróis, são pessoas comuns, não percebem. A história do casal-gay-que-faz-ativismo-pelos-direitos-LGBT-na-internet-e-não-sabia-que-Pedro-Passos-Coelho-já-não-é-primeiro-ministro é tão paradigmática, a tantos níveis, de tanta coisa, que podemos apenas resumir tudo com um “que horror”. E é um horror. Mas, e citando as senhoras na fila do supermercado sobre vários assuntos, “a culpa não é só deles”. Para início de conversa, talvez seja bom reler o último artigo Pacheco Pereira no Público. Começa assim: 
"Um dos efeitos perversos da cultura da Internet é a desvalorização do saber, do conhecimento, do estudo. Há muita gente que fica irritada quando se lhes toca no deslumbramento tecnológico e também, por arrasto, no direito de dizer alto, que é o que significa “publicar” na Internet, todas as asneiras possíveis visto que “todos têm direito à sua opinião”. Acham que criticar isto é “presunçoso”? Então acabou a ignorância? Lá porque cada um pode colocar o que quer na Internet isso dá-lhe um atestado de sabedoria? Não, é uma doença dos tempos modernos e está-se agravar principalmente nos mais jovens que obtêm na rede quase toda a informação e não tem literacias para a mediar. A “democracia” das “redes sociais” é uma forma de populismo moderno.
Eu costumava chumbar os alunos de filosofia que, para esconder infantilmente a sua ignorância, diziam que também tinham uma “opinião pessoal” sobre Kant. Ai tem? Mas que sorte, é que eu não tenho e a esmagadora maioria das pessoas letradas do mundo também não tem, incluindo 99% dos professores de filosofia e a maioria absoluta dos especialistas em Kant, pela simples razão que ter uma “opinião pessoal”, que não seja uma repetição, ou seja, que seja “pessoal”, exige muito estudo, muito conhecimento de Kant, e muita criatividade filosófica. Se não é do domínio do génio filosófico, fica perto. Não é Habermas quem quer.
Mas a Internet está cheia disto, gente que escreve sobre um livro começando por dizer que não o leu, que escreve sobre cinema porque viu uns filmes, que se torna crítico literário porque “também pode dizer o que quiser”, ou melhor, “que tem o direito de dizer o que quiser” e só os passadistas de duvidosa democraticidade é que não querem que este “direito seja de todos”. E depois dizem “habituem-se que o mundo mudou”. Sim o mundo mudou, mas ninguém tem obrigação de aturar este ruído das “redes sociais” dos comentários, do “todos temos direito a falar, mesmo que não tenhamos nada para dizer”: “é a minha opinião pessoal sobre Kant, embora nunca o tenha lido e, se me criticam, berro que é censura e elitismo e nostalgia do mundo em que só os “sábios” (dito com desprezo) podiam falar…”.

segunda-feira, 6 de junho de 2016


 retrato de Alice Vanderbilt Shepard, John Singer Sargent, 1888, Amon Carter Museum of American Art

quarta-feira, 1 de junho de 2016

a vida, o amor e os batráquios



Não consigo deixar de pensar em “The Surprise”, uma das histórias de “Frog and Toad” que conheci através deste artigo maravilhoso da New Yorker. Sorriso prolongado, conclusão alguma. Aqui é tudo delicioso e complexo, como sempre que se lê e escreve para crianças: da existência de uma publicação da especialidade chamada “The Lion and the Unicorn” ao conto “Alone”. Amor anfíbio, talvez. Desse que existe na terra e na água, que vai para todo o lado porque se transporta sem saber ou sabendo mesmo que não se queira. Não sei se a vontade é para aqui chamada. Amor anfíbio porque está lá, onde quer que se ache.