terça-feira, 12 de abril de 2016


Santa Catarina de Alexandria, por Francisco Zurbarán

De Catarina de Alexandria se diz ser padroeira dos estudantes. Sob a sua proteção, eu, infantil, estudante, me coloco. Ando submersa e pouco visível aqui, mas ando contente e isso é mesmo muito bom. Estudar é um privilégio. Ter (algum) tempo para o fazer é outro. E desse lugar privilegiado avisto um verão em que finalmente vou ter férias e ler livros desobrigada. Espero lá chegar com ainda menos coisas certas do que quando me inscrevi no mestrado há quase três anos. Tudo acabará bem quando começar para outro lado. 

quinta-feira, 3 de março de 2016

coleccionismos

Percorria as revistas dos jornais de domingo à procura de imagens belas com as quais forrar os meus cadernos no início do ano letivo. Cadernos A3 negros, que depois plastificava, eram os que enquadravam melhor esses instantâneos de qualquer coisa acumulados em caixas, na gaveta da mesa-de-cabeceira, em sítios para o efeito onde fui dar também com coisas que simulam o absurdo, como o Público com a primeira página da morte de John-John Kennedy. O que teriam feito as imagens da internet aos meus cadernos? Provavelmente, nada. Tirando as fotografias publicitárias a perfumes – essa obsessão – , continuo a percorrer os mesmos caminhos que vão dar ao preto e branco do maio de 68, agora bem menos Paris, muito mais Londres, e aos filmes que cravam as garras. E quanto ao demais que colecionava, é googlar John John Kennedy e Carolyne Bessette e perceber. Expurgue-se a heteronormatividade. Contemple-se. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

as mulheres portuguesas são parvas #2

E como as mulheres são, às vezes, inimigas de si próprias, pregando um machismo cor de rosa, esse do eterno feminino, da sensibilidade especial e da propensão da fêmea para o 'multitasking', aqui fica um homem feminista a fazer algo que não sendo extraordinário, parece: usar do bom senso. 
"A ideia de que 'as mulheres acrescentam' é, por isso, um pouco perigosa. Primeiro, porque parece ser sempre formulada por quem acha que o argumento da igualdade de direitos não é suficiente. Daí sugerirem que as mulheres devem entrar na política porque são diferentes (para melhor, claro) dos homens. É uma ideia paternalista que a realidade, felizmente, se encarrega de desmentir. Não vejo grandes diferenças entre a governação de Margaret Thatcher, Angela Merkel, Fátima Felgueiras ou Dilma Rousseff e a de vários políticos do sexo masculino. Em segundo lugar, em que medida é que enunciar a expressão “as mulheres são”, seguida de um adjectivo agradável, é menos preconceituoso do que dizer 'os negros são' e acrescentar um adjectivo desagradável?". Ricardo Araújo Pereira na Visão, sobre "o feminismo preferido dos machistas".

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

as mulheres portuguesas são parvas

Esse foi o título que Maria Filomena Mónica deu a um texto publicado em março do ano passado e que é difícil de ler, de tão triste e verdadeiro que é. A prova do que lá se escreve está neste outro texto, publicado por um homem, supostamente com um e-mail escrito pela sua mulher, dando instruções para um dia em que ele tem de tratar das filhas de manhã porque ela tem uma reunião no Porto. É a realidade das mulheres mais privilegiadas e alegadamente esclarecidas a que aqui se retrata, como também era para elas que Maria Filomena Mónica escrevia, retirando, e bem, das suas considerações o inferno das mulheres pobres. Por muito que a classe média tenha sido proletarizada, antes e depois da crise, são as mulheres que têm "reuniões no Porto" aquelas que têm mais instrumentos ao seu dispor para resistir à escravidão da tipificação de género. São mulheres com cursos superiores, que fizeram Erasmus e viajaram com a democratização do transporte aéreo, que têm algum rendimento, e no entanto, aqui estão elas, a repetir o caminho das mães. Não duvido que este texto espelhe a realidade de muitas famílias, de muitas mulheres e homens, basta ver as partilhas que teve nas redes sociais. O problema é mesmo esse. Já estava na altura de as mulheres portuguesas deixarem de ser parvas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016






De todas as que consegui ver, a primeira página do Libération é a que mais me comoveu. Chegou-me primeiro distorcida pelas rugas no plástico protetor (um jornal em papel, que vem de avião, que bonito), enviesada em cima da mesa do polícia, enquanto passava a mala no detetor de metais. E pensei, é mais bonita que a do Guardian, é ainda mais bonita que a do Público. O Público, esse mestre na arte da primeira página obituária, usa a frase que os tablóides ingleses quase todos também puxaram para as suas capas, neles grotesca, como tudo o que querem que um jornal seja, uma fechadura para ver o feio e ter medo. O Guardian foi sublime. É tão belo que parece pedir calma. Respiremos, pensemos ainda, a tristeza também o permite. E o Times é como um sino que toca, seco, grave, a decretar uma dor. O luto também é solene e isso é necessário.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016


David Bowie e Iman, fotografia de Bruce Weber



believing the strangest things, loving the alien

sábado, 2 de janeiro de 2016






Isabel Ruth e Rui Gomes, em "Os verdes anos", de Paulo Rocha. Argumento e diálogos de Nuno Bragança.