Não é a luta de classes. É a paz social podre que é abalada por um golpe geracional. Com sorte e inteligência, é isso que acontece às famílias, Mesmo na ausência ou por causa dela ou apesar dela. Quando chega a sua vez, filhas, filhos, deslocam alguma coisa, como as suas mães e pais, com sorte e inteligência, terão deslocado antes. E tudo se passa dentro de linhas que expõem o risco da repetição estéril. E depois vem a luta de classes.
sábado, 26 de dezembro de 2015
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
“Não só uma canoa, canoas. E uns
vários aviões espalhados. Não é como se alguém pudesse culpá-la pelo complexo
de cidade-dormitório que a persegue. Até porque toda a capital pede, por
definição, uma órbita de cidades-satélites. A síndrome de cachorro de rua
acompanha: a eterna pergunta do que é ser um cidadão daquela cidade. Em São
Leopoldo, são descendentes de alemães. Em Porto Alegre, o centro do universo,
mas e ali?
A cidade que era um espaço vazio
ganha um trilho de trem, e assim ela vira uma Cidade. E o que une as pessoas é
um trilho de trem que concomitantemente a divide. Depois, uma rodovia, com a
mesma função. Dois riscos quebrando a cidade no meio, forçando passarelas, ligações
e pontes.
Não é como se alguém pudesse
culpar uma pessoa específica, o prefeito, o governador, o presidente, o tio da
padaria. É assim que as coisas são. As demandas – as necessidades – das pessoas
tornam a cidade o que ela é. O que as pessoas realmente usam na cidade,
encontram.
A cidade não pode narrar sua
versão dos fatos. A cidade não pode dizer que os benefícios que ela traz são apenas
tarefa cumprida, enquanto os problemas são problemas. Não pode insistir no fato
de que resistiu a duas enchentes. Não é como se alguém pudesse culpar a cidade
em si pelo seu símbolo ser um avião, e o nome ser canoa”.
Luisa Geisler, “Luzes de
emergência se acenderão automaticamente”, Alfaguara, Rio de Janeiro.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Viver junto ao mar permite desmentir mitos marítimos, como a
expressão sobre as gaivotas em terra. Podem até antecipar a tempestade, mas depois
dela juntam-se na areia, como em espelho, um bando em terra como no ar. E acontece
sempre na manhã soalheira depois de chover, naquele tempo para a reconciliação
das coisas.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
se o prédio tivesse 30 andares
... chegaria ainda mais tarde ao que importa. Depois do relativo atraso em namorar a poesia de Matilde Campilho, muito depois do 'show' em Paraty, ouvi a voz da poeta. Diz uma crónica de Gregório Duvivier sob uma ilustração de Mariana Soares e será um bom remédio para tomar antes de dormir. Ou não.
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