segunda-feira, 20 de julho de 2015





Ilse Salas e Tenoche Huerta, em “Gueros”, de Alonso Ruiz Palacios


As circunstâncias em que conhecemos alguém podem ter tanto de decisivo. Alívio. “Gueros” é um filmaço.

domingo, 19 de julho de 2015

PISCINÃO BLUE


The real reason why we never jumped into the pool was
well freddy never was a good jumper betty never was a
good sport aunt amy always talked about tea pots and
tea plates and spoons and her lost loving pomegranates
and dad kept drawing leopards in every wall if our house
Please don’t ask about mom or mom’s dress made of flowers
made of silk made of every shade of desmond’s fears
Little timmy sang a song about our only friend Kazakalim
whose skin was dark whose blood was dim whose chest
was shiny as the wooded flute that father used to clean
every morning every midday every night and every dawn
as mother danced around the oak tree which surely did
contain a bird contain a whale contain a stack of all our tears.


Matilde Campilho

sábado, 18 de julho de 2015

ASCENDENTE ESCORPIÃO

Na noite em que Billy Ray nasceu
(rua 28, cruzamento com a 7, Nova Iorque)
não havia ninguém dedicado à contemplação dos gerânios
Havia, isso sim, o som do mundo que caía
como estalactites múltiplas
sobre as cercanias do hospital
Automóveis, alguns a 90 km/hora, outros a 30 km/hora
Bombeiros correndo para salvar o cachorro
preso na escotilha do bote atracado no Hudson
O imigrante rendendo o caixa na loja de conveniência
para roubar alguns dólares e chicletes
Aquele casal na esquina à direita, os dois chorando,
terminando com razão o arrastado namoro de cinco anos
Rosa Burns entrando em casa sem pressa nenhuma,
lançando investidas à fechadura com a chave muito mais velha
que seu rosto – tremendo, tremendo, quase desistindo
desse negócio de viver e atirar no alvo
Havia o camião varrendo todos os pedaços de lixo da rua
Havia o ruído das fichas de póquer sendo lançadas
sobre a mesa verde-gasto entre dedos e fumaça
Alguém gritando, na explosão da minúscula morte
Alguém cantando a canção sul-americana
Alguém afagando o pescoço do pombo sem dono
Alguém jogando a bola de ténis contra a parede do quarto,
repetidamente, repetidamente, repetidamente
Havia o rádio no on tocando algum barulhinho em onda média
Havia uma bruxa cozinhando azevinho & cobre na panela
do apartamento de paredes queimadas
Na noite do nascimento de Billy Ray
ao mesmo tempo que ele escutava o som gelatinoso
da placenta de onde era arrancado
e depois o som da passagem pelo canal uterino de sua mãe
e depois o som do primeiro toque em sua cabeça
e depois o som de seu próprio grito
o grito que inaugura a festa
O mundo se reunia inteiro
entre a rua 28 e a rua 7
o aleluia da existência ocidental:
centenas de homens vergados
fazendo vénia à metafísica suficiente
que existe nos corredores do mundo
e se extrapola
até ao infinito lunar


Matilde Campilho




sexta-feira, 17 de julho de 2015




Descobri a Matilde Campilho e ando encantada e vaidosa pensando que ela também me descobriu.

sábado, 11 de julho de 2015


Marilyn Monroe e Arthur Miller, sessão fotográfica com Richard Avedon, provas de contacto.


         

                    Não sei o que mais comove, se a assimetria brutal, se o esforço de Arthur Miller.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

and then I found you

É um beijo de vitória. Bonito mas banal. Um dia será. Por enquanto, não. É o privado a ser político, mais uma vez, como as mulheres sabem que tem de ser, que foi sempre. Mais do que o beijo, as imagens mostram um microscópico momento em que Abby Wambach procura a mulher no meio da multidão e não a encontra. E depois encontra-a.