quarta-feira, 8 de julho de 2015

and then I found you

É um beijo de vitória. Bonito mas banal. Um dia será. Por enquanto, não. É o privado a ser político, mais uma vez, como as mulheres sabem que tem de ser, que foi sempre. Mais do que o beijo, as imagens mostram um microscópico momento em que Abby Wambach procura a mulher no meio da multidão e não a encontra. E depois encontra-a.  

terça-feira, 7 de julho de 2015





Há tempos uma vendedora de telemarketing ligou-me para saber se eu estava interessada numa coleção de livros sobre as rainhas de Portugal. Percebi pela conversa que deviam ser as mulheres dos reis porque a senhora introduziu a mais-valia das obras dizendo que elas influenciavam muito os maridos. Declinei, agradeci e desliguei. A morte de Maria de Jesus Barroso foi assinalada na imprensa portuguesa com trabalhos de fundo ou até em pequenos apontamentos narrativos que partem da mesma lógica daquela trabalhadora de telemarketing. Não é só o ‘por de trás de um grande homem está sempre uma grande mulher’, é apresentar uma mulher que foi tantíssimas coisas por direito e de moto próprio como alguém que viveu nos bastidores e neles influenciou decisões políticas. Se a primeira frase é condescendente, paternalista e, como disse a jornalista Barbária Baldeia nas redes sociais, tantas vezes mentirosa, a segunda construção, parente da primeira, talvez consiga ser mais desprezível. É que mesmo quando envolta num manto de bondade, insiste em apresentar as mulheres como uma espécie de cobras na sombra, que conspiram, mesmo que para o bem, e levam a sua avante, mesmo que abdicando e sacrificando-se. É uma doença narrativa. E tem de acabar. Temos de começar a pensar nas imagens que veiculamos quando escrevemos. Estas representações do ‘feminino’ não são apenas machistas, misóginas, foleiras e de mau gosto, são irresponsáveis. Maria Barroso foi combatente antifascista, fundadora do PS, foi deputada, foi atriz, declamadora, pedagoga, ativista pelos direitos humanos, liderou a fundação Pro Dignitate. Tenhamos o devido apego aos factos e, depois de os termos bem presentes, contemos histórias interessantes. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015


Kirk Douglas, fotografia de Vivian Maier


Há mistério no processo de sobrevivência de um objeto artístico. Entre a fama em vida e o esquecimento posterior e a miséria em vida e o Olimpo reparador há gradações. E mistério. “Finding Vivian Maier” faz também essa reflexão, a partir da questão ética de estar a dar a conhecer o trabalho de alguém que podia não o querer. O dilema resolve-se da forma mais simples para o documentarista, Vivian Maier quis dar a conhecer o seu trabalho, que ele próprio resgatou de um leilão esconso. Ele é um pirata mais ou menos bondoso que, não sabendo o que tinha em mãos, queria ter um tesouro em mãos. Isso fará toda a diferença. Talvez a reflexão fosse mais interessante se o documentarista aventureiro não descobrisse a mínima pista sobre as intenções da fotógrafa e, perante a desmultiplicação da sua personalidade materializada nas opiniões dos outros, ficaríamos ainda mais perdidos. Como Vivian, com uma câmara na mão deambulando pelas ruas

domingo, 5 de julho de 2015

inside out

Inside Out é um filme tão importante que felizmente é para crianças. É talvez difícil para elas e para alguns adultos, como diz a Carla. E nos tempos da ditadura da 'felicidade', sempre a emitir sinais para programar bronzeados e musculados leitores de frases motivacionais, o último filme da Pixar mostra a importância de todas as emoções, sobretudo da tristeza. Como escreveu a Carla: "Só a tristeza é capaz de pôr as coisas no seu lugar e dar espaço à alegria de saber o que não pode perder".

segunda-feira, 29 de junho de 2015


A angústia é das conversas equívocas que nunca serão esclarecidas. O alívio é esse, acabaram.

domingo, 28 de junho de 2015


Mark Ruffalo e Matt Bomer, em "The normal heart", de Ryan Murphy.


Nos momentos de orgulho é (também) bom revisitar a luta e a dor e, sobretudo, as dores da luta. E sim, um telefilme pode ser notável.