terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A bailarina do New York City Ballet Wendy Whelman fotografada por Béatrice de Géa para o The New York Times semanas antes de se retirar de uma carreira de trinta anos. Na revista do ano em imagens.

Há pessoas que não se reformam, retiram-se. E é assim que deve ser.
Boas festas. Bons recomeços.

domingo, 14 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014




A câmara tosca do meu telemóvel fixou este desenho de José Escada, de 1980. É dos seus últimos trabalhos, os primeiros acessíveis a quem entra na galeria de São Roque, na rua de São Bento, para encontrar a exposição “José Escada, um príncipe fora do tempo”. Agora penso que se não fora da sua última fase talvez não me tivesse encantado assim. Este traço (os olhos, os olhos) e a ausência de cor seriam outros sem a diversidade do que ficou para trás. Depuração? Talvez. É um conceito que não domino bem. Depois de ver toda a exposição, voltei aos primeiros desenhos, por força da organização do espaço e porque queria ficar a sós com eles, com este sobretudo. É do ano do meu nascimento, que é um ego- detalhe que me toca inevitavelmente. Não consegui a solidão com o quadro. Não é só o meu reflexo que se vê na fotografia, é também o do galerista.
Apesar dos antiquários, apesar de lá ter vivido Amália, apesar de ligar zonas da cidade que absolutamente adoro, a rua de São Bento é um corredor opressor, a visão terrena de um passadiço de entrada no Purgatório. Na melhor definição de uma amiga, a rua de São Bento tem mau ‘karma’. Estou por isso vitoriosa. Até ao final de dezembro há uma porta para fora do Purgatório. Fica no número 269. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

it takes a girl



Sempre que a descrença nas gerações mais novas ensombrar corações inteligentes, é olhar para os posteres que as miúdas têm nos quartos e procurar por Katniss Everdeen, a heroína da trança e do arco e flecha. A palavra ‘feminista’ pode estar, tristemente, ameaçada, mas não é por falta de feministas, reais ou icónicas. Procurem os posteres nos quatros das miúdas e chamem as coisas pelos nomes. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014




Anne Hathaway, em "Interstellar", de Christopher Nolan


Major Tom olhava para o azul da Terra e achava que não havia nada que pudesse fazer. Viciado na solidão, conformado, triste. Só que não se vai ao espaço sem otimismo. É precisa muita energia, constante e prolongada, para montar um programa espacial, como para fazer parte dele. A escolha de partir é assim baseada na escolha de que vale a pena estar aqui. Por isso é que a ideia de um astronauta deprimido é quase absurda. Homenageando o cinema nos seus lugares mais essenciais, a duração do espaço e do tempo, “Interstellar” é uma espécie de “Space Oddity” ao contrário. Olhar o azul redondo lá de cima é acreditar muito nele e em cada um dos planetas pessoais que contém. Como se nos salvássemos a todos quando agarramos só um. Não queria escrever a primeira coisa que pensei quando o filme terminou, achei que devia tentar mesmo perceber alguns daqueles conceitos. Já passaram uns dias. Posso não entender tudo, mas sei que a chave é o amor e uma estante de livros. 

sábado, 1 de novembro de 2014


Cy Twombly

A escala é invariavelmente a coisa que mais impacto tem quando encontramos o objeto, às vezes até a pessoa. Somos já criaturas de écrans, essas janelas ao contrário, que mostram e podem expandir mas restringem sempre o horizonte. Sejam muitas, belas e espessas as coisas que dão a ver, não podemos debruçarmo-nos num écran ou saltar dele para fora. Para isso, é preciso fechá-lo.