A sala cheia do querido cinema
King para ver “A Dança”, de Frederick Wiseman, foi perecendo à medida que o
filme avançava e acredito que não foi a duração do documentário que forçou as
deserções, mas a circularidade da narrativa. Estavam lá as imagens da beleza
mil vezes captada que transforma a dança (clássica, sobretudo) numa arte tão
difícil de se deixar tomar por outras, a fotografia e o cinema. Mas a confeção
dos tutus, os corpos em contraluz na barra, as silhuetas em alongamento, todo o
repertório estafado e facilmente amado serviam um princípio que cabe pouco no
cliché quando é tratado com lealdade. O trabalho é pouco sexy. A exaustão é
perturbadora à galeria dos lugares comuns que louvam a perseguição do sonho sem
mostrarem o caminho como ele é, demasiadas vezes frustrante e equivocado de
sentido. Num recomeço de ano que é, como todos, uma continuação circular e uma
nova oportunidade, temo a falta de forças e a tentação do enfeite. O que tenho
que dizer a mim mesma no início, como no meio e no fim, não me vai salvar e é
só: ao trabalho. Assim, sem exclamação. Circular e aborrecido, como, tenho que acreditar, quase tudo
o que vale a pena.
sábado, 20 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
único
Fujo do saudosismo. O meu tempo é agora. As coisas que gosto de ver, comer e ler são as que tenho perto de mim. A memória tem lugares só seus, que não estão, por definição, aqui e agora. Mas tenho saudades do fulgor dos blogues generalistas. A especialização aborrece-me. Os blogues de fotografia serão outra coisa, se são específicos no meio, serão abrangentes na mensagem, como (às vezes parece) só a imagem consegue ser. O Tiago Miranda tem um blogue e é único.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
cenas da vida romântica
"Os Maias", de João Botelho
Se o ‘casting’ seria meio
sustento, ele só não bastaria. Não bastou, encontrei lá tudo, outra vez. Outra
vez porque de novo, mais uma vez, numa devolução que é honesta e é também criação.
Carlos, Maria Eduarda, o Ega, Tomás de Alencar (que é de Alenquer, e isto faz-me
sempre rir automaticamente, como uma criança a dizer "cuecas"), o Dâmaso, e
Lisboa. Todos a latejar em mim, outra vez. E agora com as sombras e a luz, já
tão primorosas em “A Corte do Norte”. O país do “chique a valer” no cenário,
aqui literal, da cidade que parecendo merecer mais é o que é também por essa
circunstância tornada tragédia. E vi, pela primeira vez posso dizer que vi: Carlos
e Ega que correm para apanhar “o americano”, descoloridos. Perdido o viço,
despigmentado o desejo, ainda correm. E talvez o apanhem.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Yves Montand, Simone Signoret, Marilyn Monroe e Arthur Miller, fotografia de Bruce Davidson/Agência Magnum
Forcei-me a abandonar o vício das imagens da Marilyn Monroe, as da Magnum, acima de todas. Trato-a com respeito, agora, (re)vejo os seus filmes. À socapa, perco tempo a ver as fotografias preferidas, mas nunca reproduzo, e acho que isso está bem. É correto. Há semanas encontrei imagens que não conhecia. Marilyn Monroe a comprar uma gravata a Arthur Miller numa loja em Nova Iorque. Eufórica e triste, como só ela. Deu-me uma esperança derrotada descobrir que há imagens dela que não conheço. E voltei ao voto de a respeitar.
Reincidente, digo, é só hoje.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



.jpg)
