quarta-feira, 9 de julho de 2014

         Yves Montand, Simone Signoret, Marilyn Monroe e Arthur Miller, fotografia de  Bruce Davidson/Agência Magnum 


Forcei-me a abandonar o vício das imagens da Marilyn Monroe, as da Magnum, acima de todas. Trato-a com respeito, agora, (re)vejo os seus filmes. À socapa, perco tempo a ver as fotografias preferidas, mas nunca reproduzo, e acho que isso está bem. É correto. Há semanas encontrei imagens que não conhecia. Marilyn Monroe a comprar uma gravata a Arthur Miller numa loja em Nova Iorque. Eufórica e triste, como só ela. Deu-me uma esperança derrotada descobrir que há imagens dela que não conheço. E voltei ao voto de a respeitar. 

Reincidente, digo, é só hoje.


terça-feira, 8 de julho de 2014

era verão e sabíamos

É impossível não comungar das teorias dos verões passados. A vigília do calor, noites a fio. As janelas abertas davam um alívio pequeno que se fazia pagar com o som maníaco do coaxar das rãs. Era infernal. Não tenho saudades. Só a certeza que era mais quente.

(A New Yorker republicou um texto de 1998 de Arthur Miller sobre o verão nova-iorquino na era pré-ar-condicionado, aqui).

domingo, 6 de julho de 2014

sábado, 5 de julho de 2014

gente sã do campo

“Havia qualquer coisa nela que parecia fascinar Mrs. Freeman e depois um dia Hulga percebeu que era a perna artificial. Mrs. Freeman tinha uma predileção especial pelos detalhes de infeções secretas, deformidades escondidas, assaltos a crianças. Das doenças, preferia as intermináveis e incuráveis. Hulga ouvira Mrs. Hopewell fornecer-lhe todos os detalhes do acidente de caça, como a perna fora literalmente feita em pedaços, como a menina nunca ficara inconsciente. Mrs. Freeman podia escutar a história a qualquer momento, como se tudo tivesse acabado de acontecer há uma hora”.

Flannery O’Connor, “Um bom homem é difícil de encontrar”, Cavalo de Ferro


Paula Rego a Ilustrar Flannery O’Connor. Pois era.