O novo, o velho e o que sempre esteve lá.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
estranheza
2013 foi um bom ano para
conversar com estranhos. Na sua bondade, estão lá para isso. E para quem gosta
de sentir o pulso às opiniões e quer escapar do fel dos fóruns e dos taxistas,
é o melhor. Ao contrário dos senhores que conduzem carros de praça e a quem
devemos dar um enormíssimo desconto porque têm uma profissão muito difícil, há
outros estranhos com quem conversar. Não estão tão predispostos, julgam que
isso não é esperado deles, mas estão cheios de vontade, é ver como agarram os
pretextos. Assim, 2013 está a terminar numa exaustão, que é muito de felicidade,
de coisas boas, de coisas novas, de medos anulados, de gargalhadas profundas, e
de conversas com estranhos. E neste fim estranho, como todos os fins, é bom ser
surpreendida não só pelas pessoas que nos querem bem porque estão na nossa
vida, mas por seguranças em centros de saúde que oferecem cafés, por manicures
depressivas cheias de sapiência, e por toda a bondade contida nos funcionários
do ISCTE, para onde os seus congéneres da FCSH deviam ser enviados, como para
um campo de trabalhos forçados ao contrário, estágio de sorrisos prestáveis e coisas
quentes. Exatamente, 2013 está a terminar com muitas palavras que querem
evitar o tom confessional e assim vão dizendo tudo e nada. Como nas conversas
com estranhos.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
a vida como ela é
O título é repetido, mas não tenho medo de o gastar. Fez-se para aqui, até pela gargalhada de coalhar o (genial) moralismo de Nelson Rodrigues.
Aquilo que ouvi deste filme não o encontrei. Encontrei diferente, melhor. Parece que o mundo descobriu o sexo entre mulheres, isso é lá com ele. Que abra bem os olhos, mas não deixe de ver o grande plano. “A vida de Adèle” é a vida de Adèle. Tão universal quanto isso.
Já passaram semanas e ainda estou com a rapariga que dança “I follow rivers”, de Lykke Li. Acedo a colocar um vídeo neste lugar, que quis sempre quieto, tal é a captura em que me traz. Adèle está diferente e ainda ninguém percebeu. Chega a casa para ser surpreendida por uma festa. São 18 anos, que já são outra coisa, e os outros tornam-se difusos à medida que lá dentro se carregam um pouco mais os seus contornos. O rosto fecha-se, parece que alguma coisa não está bem. Mas está tudo bem, como só tudo está melhor quando fica irremediavelmente diferente. E então ela sorri e dança. Não está nada definido. Adèle há de morrer e nascer outra vez. É assim. Nada a fazer. Nunca nada acaba. Esta é apenas a melhor cena dos primeiros dois capítulos.
sábado, 14 de dezembro de 2013
mulheres do meu país
"Quando se fala no que está errado
na vida da Mulher, prejudicando-a sob todos os aspetos, logo se vê uma intenção
política perigosa nessa afirmação. Em consequência disso, na maioria dos casos,
são as próprias mulheres que reprovam e deturpam qualquer esforço honesto feito
no sentido de lhes despertar a consciência para as condições em que elas
próprias vivem, lutam e sofrem. Isto, só por si, representa um atraso
incalculável, com profunda influência na vida geral e da mulher em particular"
Maria Lamas, "As mulheres do meu país", 1948 - 1950. Edição fac-simile, Caminho.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Ibéria
"A favor de esta [Constitucion] se
ha declarado la opinion del pueblo y de los escritores. Anoche, cuando desde el
balcon gritaban los governadores Viva da Constitucion, respondia el inmenso
gentio congregado en la plaza del Rocío La Española. (…) Entre los liberales se
nota una gran escision: unos quieren la Constitucion española, otros la
desechan; entre estes deben contarse los membros del gobierno. Los unos, si
preveen como futuramente posible la union de toda la Peninsula en una masa
compacta y homogenea, estan lejos de temer este acontecimiento, porque se han
despojado de necias preocupaciones y de ridículos odios; los otros, apreciando
sobre todo la convervacion del nombre portugués y la independencia del estado,
imaginan que la adopcion de nuestro código politico hecharia por tierra la
barrera moral que separa a las dos naciones acarreando com el tiempo su
conseguiente inevitable fusión”.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
nome
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
aforismos fáceis
As pessoas que não têm tempo, arranjam-no. Como na música. E com um fim semelhante.
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